Os olhos e a visão na criança são suscetíveis a vários problemas, muitos dos quais específicos dessa idade.
5% a 7% das crianças com idade inferior a 5 anos tem defeitos refrativos significativos (necessitando de correção com óculos) e essa percentagem aumenta com a idade. 20% das crianças maiores têm problemas de visão suscetíveis de interferir com o rendimento escolar. Outras patologias frequentes são:
ambliopia (olho preguiçoso),
estrabismo (desalinhamento dos eixos visuais),
epífora congénita (lacrimejo, provocado pela não abertura do ducto lacrimonasal),
conjuntivites bacteriana, vírica e alérgica, etc. Exemplos de patologias mais raras e graves são as
cataratas congénitas e
cataratas infantis, o
glaucoma congénito e o
retinoblastoma.
A ambliopia (ou olho preguiçoso) é o resultado de um imperfeito desenvolvimento do sistema visual imaturo, motivado por uma incorreta ou assimétrica estimulação ocular e manifesta-se por uma diminuição da acuidade visual de um ou ambos os olhos. As principais causas de ambliopia são o estrabismo e a anisometropia (graduação diferente nos 2 olhos). Tendo origem na idade infantil, a ambliopia é um problema comum e que persiste por toda a vida, a não ser que detetado e tratado precocemente.
Estrabismo (olhos "trocados") é quando os olhos apontam em direções diferentes. Para evitar ver duas imagens, o cérebro da criança ignora a imagem proveniente do olho desalinhado, o que impede a visão deste de se desenvolver normalmente.
Defeitos refrativos são alterações da visão que podem ser corrigidas com óculos. Quando a córnea ou o cristalino não focam a luz na retina, a visão é turva. Na
miopia vê-se bem ao perto, mas mal ao longe; na
hipermetropia vê-se melhor ao longe do que ao perto (a maioria dos bébés e crianças pequenas tem uma hipermetropia ligeira sem visão turva, isto porque os seus olhos conseguem focar de forma a ter uma visão clara quer ao longe, quer ao perto. Com o crescimento, esta hipermetropia geralmente diminui); No
astigmatismo, a visão é desfocada, quer para longe, quer para perto (os objetos podem parecer demasiado altos, estreitos, ou largos). Defeitos refrativos elevados em ambos os olhos, bem como um defeito significativamente maior num olho que noutro (situação em que a visão da criança parece excelente, porque esta usa ambos os olhos), fazem com que a visão não se desenvolva corretamente.